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quarta-feira, 16 de março de 2011

DO CHÃO AO CÉU


Hoje acordei caindo.
Mas uma queda às avessas.
Caindo para o céu.
Do chão.
Quase tocando o infinito.
Quase.
Caio.

"Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso" (Caio F. Abreu)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Amo...



Eu amo a vida simples que ele me oferece
Amo quando andamos nas ruas e as suas mãos procuram pelas minhas
Amo o calor da sua pele
O peso de seu corpo, o jeito que ele me olha
O som de sua voz chamando meu nome

Eu amo quando ele me transforma em versos
Amo quando não mede distância
Quando trás água para matar minha sede
Quando se embala comigo na rede

Eu amo o jeito que ele anda
Amo quanto toca um samba
E quando ele diz que me ama...

Amo!

domingo, 17 de outubro de 2010

Cores e dores e amores

Cercada de vidas vazias
de sonhos acordados
penso se meu riso terá fim
quando a música parar de tocar
haverá dança em mim?
Eu, que danço no tempo, no vento, no espaço
que danço em teu abraço...
Vejo nos olhos daqueles que um dia voaram
o semblante da queda.
O cansaço do dia da vida vazia.
Tantas dores cercando os corpos
tantas cores anunciando mortos...
E a vida insiste, com novos amores e novas cores...
Que se espalham pelos cantos, que espalham prantos...
Que vem e vão mas nunca se cansam... Que como borboletas dançam... Quando saem do casulo e aprendem a voar...
Porque isso é a vida, voar e se apaixonar... cair e levantar...
Mas sempre voar...

M.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Caio

Quando faltam as palavras, caio.
A sensação da queda sempre volta, sempre caio.
Durante a queda me lanço, braços abertos...

Se minhas palavras não chegam, Caio:

"Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (...) " (Caio F. Abreu)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sobre pedras e castelos...

Em um trabalho de uma de minhas alunas da faculdade tinha um texto atribuído a Fernando Pessoa. Eu, como leitora que sou do poeta, logo desconfiei, nunca tinha lido isso em nehuma de suas obras (nem de seus heterônimos), mas de todo o texto, o que mais me chamou a atenção foi a bendita frase:
"Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo."


Achei tão imagética, poética, uma coisa mais Florbela Espanca que Pessoa... Daí eu pensei: "Vou postar essas palavras no meu blog, mas antes deixe eu ver se acho o autor mesmo...".

Daí achei um sujeito virtual que, ao que me parece, foi o autor dessas palavras, como ele mesmo disse, entre Pessoa e Drummond...

Como a rede virtual é uma eterna captura, essas pedras e castelos agora são meus...

Uma outra frase, de um sujeito não tão anônimo, também me revela um pouco por hoje...

"Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..." (Buarque)

P.s. O autor anônimo tem um blog (dentre outros espaços virtuais), seu pseudônimo é Nemo Nox. Pra quem quiser saber mais...


Por um punhado de pixels...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Quando as palavras faltam... (Sobre os saberes)

Que saudade das conversas superficiais e verdadeiras dos corredores da faculdade no intervalo
entre uma (J)aula e outra...
No fim, o que fica de melhor é o que escapa às cavernas de burocratizar o saber. Aquele produzido no gozo, aquele que não se encerra nas atas de reuniões com meia dúzia de burocratas, que se chamam educaDORES.
O que fizeram com os afetos?
Por que toda essa distância se são os corpos que ocupam (ainda) os espaços?
Ah! Sim! Que queimem todas as atas e ofícios e memorandos...
Que o fogo contamine os correDORES e que deles escapem apenas aquelas boas, superficiais e verdadeiras conversas, no fim é disso que senti (re) mos falta...

M.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Fraternidade da Lua

POESIA NOSSA

Lembranças nos cercam, flutuam...
“Passa a bola! Passa a bola!”
Veloz e intenso
E o sol sempre arde
A lua embriagadora
E os contos, e as musas, acordam...
Uh! Uh! Ah!

(Fraternidade da lua)

A FRATERNIDADE DA LUA

Sentamos à sombra da frondosa árvore.
Inconsoláveis, cantamos as velhas canções.
As proscritas palavras recitamos mais uma vez.
As vozes não eram claras. – Mas a vontade era.

E a lua acompanhava nossos movimentos ocultos.
Nossos segredos seriam esquecidos dentro do círculo.
Esta era a promessa selada com sangue.
E cada um colocou dentro do ventre seus mistérios.

Pela manhã nós amamos mais fortemente.
Por onde andássemos o círculo nos acompanhava.
Éramos a fraternidade da lua...
E nem o sol desmancharia hedionda conspiração.


(Mário Rasec)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Horizontes

infinito
Quantos horizontes cabem em mim...


Quantos horizontes cabem em mim?



Quantos horizontes cabem em mim!



Quantos horizontes cabem em mim.



horizonte

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Amanhecer...

Me abandonei de mim quando eu era uma torre de lembranças de um passado sempre presente. Tentei me abandonar. Mas a minha memória transformada em cárcere mantinha-me como única prisioneira em uma sela sempre tão iluminada. As imagens tão nítidas. As cores do que nunca aconteceu...toulouse-lautrec_bed
“Assim fostes a outra metade do amanhecer que não alcanço jamais” (Sílvio Rodrigues)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ARTAUD!

antonin-artaudOlhar grave.
A urgência de vida.
A vida que tentaram lhe roubar.
Ele não deixou.
Criava a vida, sempre.
Um poeta (de olhos graves) cujos versos se escreveram com a carne.
Carne diluída. Corpo dilacerado. Mas vivo. Intensivo.
Corpo sem Órgãos. A superação de si.
A liberdade encontrada para além dos limites e fronteiras.
artaud-744397
Hoje, dia 04 de setembro de 2009, hoje fazem exatamente 113 anos que este "Anjo terrível" passou a existir. E desde então, tornou-se imortal.
70204_man_ray_antonin_artaud
A crueldade transformada em vida.
Possuir a vida.

Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.
Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.

Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre morto.

Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.

Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.


ANTONIN ARTAUD (4 de setembro de 1896 - 4 de março de 1948)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O poeta malabarista

MALABARISMO

O poeta malabarista
Brinca com as palavras
Espalha versos pela estrada
Cai alguns pela calçada...
Jogando as letras pra cima
Sem sentir faz uma rima

Brincando ele faz poesia
Banha de vinho meu dia
Esquenta o frio da noite
Sem cobertor, só de alegria...

Andando na corda bamba,
Amando como quem samba,
Sambando como quem ama...

M.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

I'll Be There For You

friends
Faz algum tempo que eu parei de assistir televisão, me refiro aos canais abertos, tipo Globo, SBT, Record, etc... Não foi por ideologia, por posicionamento político, nenhuma bandeira... simplesmente não tinha nada de interessante passando na TV. Um monte de novelas onde as pessoas acordam em vidas de plástico, um monte de reality show mostrando a vida de pessoas que eu não conheço, um monte de desgraça nos telejornais... Na boa, digam o que quiserem dizer, mas eu não sinto a menor falta dessas coisas aí...
Na minha casa tem até uma TV, conectada a um aparelho de DVD onde eu coloco uns filmes e outras coisas a depender do meu humor...
Em dias de TPM nada melhor que assistir todas as temporadas possíveis de FRIENDS!
Certa vez um amigo me disse que FRIENDS era melhor que Prozac... Hehehe... de fato, é o meu antidepressivo.
Esses dias tem sido tão nublados, que a cidade parece ainda mais insuportável... A vontade de fugir daqui de uma vez por todas aumenta absurdamente a cada dia!
Não lembro muito bem, mas acho que li no blog de um amigo que quando a gente bate de frente com a morte, ao contrário do que dizem, a vida da gente não passa toda diante de nós como um trailler de um filme... Aconteceu comigo e na hora mesmo eu não pensei em absolutamente nada... Me parecia que não era eu ali, que aquilo não estava acontecendo, parecia que eu assistia de fora toda a cena, tão nitidamente que parecia uma cena de novela conectada pela rede Globo.
Tentei ser turista nessa cidade durante esse fim de semana, pra ver se realmente ela é tão insuportável ou se é pura implicância minha. Conclusão: Essa cidade é realmente insuportável!!!
Preciso ir embora daqui...
Sonhei a noite toda com um episódio inédito de FRIENDS!!! Amo meu insonsciente...
Incrível como as pessoas especiais em minha vida estão sempre partindo...
É verdade mesmo que a dor de quem fica é maior do que a de quem parte? Acho que li isso em algum lugar...

Estou com a 1ª e a 2ª temporada completa de FRIENDS aqui, de qualquer modo, ainda tem uns episódios inéditos na minha cabeça...

Sinto uma saudade constante de pessoas que não estão por perto...

Nesses dias cinzas gosto de ouvir SMASHING PUMPKINS ...
Grita dentro de mim, não me diz nada, não me remete a nada, deve ser isso, o nada...
mellon
"And I'll do anything to keep her here tonite
And I'll say anything to make her feel alright
And I'll be anything to keep her here tonite
Cause I want you to stay, with me
I need you tonite"


M.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Retrovisor...

retrovisorQuando estava aprendendo a dirigir o que achei mais difícil foi ver a vida andando para trás...
Eu pensei que nunca ia conseguir me orientar olhando as coisas que estavam vindo atrás de mim ou ainda olhando as que já tinham passado...
Olhar pelo espelho num sentido inverso... eu me atrapalhava toda... nem olhava...
Não sei como não saia batendo por aí, acho que tinha sorte de que os outros já tinham a prática.
Hoje, consigo entender a lógica do retrovisor... ver por todos os lados... espelhos espalhados espelhando vários sentidos de uma mesma estrada...

(Parece que a gente acaba se acostumando com tudo... Quem sabe um dia eu me acostume a voar e saia por aí olhando tudo do alto...)

A saudade rasga a gente por dentro... Reflete em todos os espelhos, pedaços rasgados de carne sufocada...

M.

sábado, 6 de junho de 2009

D E S A P R E N D A ! (Estamos condicionados)

gaiolaEstou farta de tanto condicionamento, tanto ar-condicionado!!! Me deixem sentir o calor do sol e o suor escorrendo pela minha pele...
Quero desaprender os automatismos ensinados pelas escolas... quero desaprender a matemática lógica, o impossível grita para além do racional.
Desaprender a andar, quero voar... Não aprender nada mais, só experimentar!
Quero desaprender a usar os verbos, fazer novas palavras com letras que não conheço... Não acredito que tudo está mapeado. Caminhos estriados, quero outros... O espaço liso, oceano... mar... navegar...
Não mais "a prender" nada...
Passos indo nas direções contrárias, em caminhos ainda não percorridos...
Quero o calor e o suor, quero a chuva e trovões...
Chega do enclausuramento constante que sofremos por nós mesmos... em nós... (Desatem os nós)

Tela em branco, pincéis e tintas espalhadas pelo chão... pintar com todo o corpo, não apenas com a mão...
Desaprendendo a viver... vivendo!

Soltem as borboletas, abram as gaiolas, tirem as coleiras dos cachorros... Já que não sabemos ser livres, que possamos devolver a liberdade de quem sabe.
borboletas

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sobre apaixornar-se...

apaixonar-seNão apaixonar-se é a dor de não sentir dor.
A paixão é o lugar dos sabores, cítricos, doce, amargo...
Não sentir esses sabores é... não sentir.
Não sentir os dedos dos pés, inquietos, ansiosos, pela incerteza do porvir e pela certeza da finitude.
Não sentir os dedos do outro tocando, ao acaso, o seu cotovelo, e você nem lembrava que tinha cotovelo... até sentir o toque dos dedos do outro...
Não apaixonar-se é não sentir o seu cotovelo. É não sentir os dedos dos pés. É não sentir o gosto cítrico, doce, amargo...
Não sentir, para mim, é não existir...
Paixão, para mim, é pele. E sou toda pele...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Borboletas na estrada

Dia desses eu vi uma borboleta ser atropelada no meio da estrada... como é que pode?
Já não bastava ver inúmeros gatos e cachorros esfacelados pelas ruas... Tamanho desrespeito. Onde é que o homem (esse animal que se acha racional) viu que tinha o direito de passar por cima de outros seres com suas máquinas potentes? (máquinas-próteses). Na verdade o homem quando está munido de qualquer outra máquina (que ele a tem como uma muleta) acredita que pode fazer qualquer coisa contra qualquer ser, seja ele um ser humano ou não. Fico triste pela borboleta, pelo gato e pelo cachorro. Mas também fico triste pelo homem que entra sem sentir em uma engrenagem gigante, tornando-se uma peça, dormente e demente, de um universo tão cheio de cores e sons e cheiros e sabores, que ele já nem sente mais...

P.s. : eu nem ia falar sobre isso, e nem me lembro mais sobre o que eu iria falar... mas quando começo a escrever as coisas vão tomando rumos que às vezes eu desconheço...

P.p.s.: uma pena que a borboleta, um bicho tão singular, leve, livre, tenha se tornado símbolo da politicagem dessa cidade(zinha). Tenho mesmo vergonha de fazer parte de uma cidade que elege esse tipo de gente para ser um “governante”!

M.


borboletas_b

quarta-feira, 25 de março de 2009

A Vontade tem vontade própria

olhoEra uma linda manhã, e eu estava atravessando a Ponte Forte-Redinha com meu amigo (o pós-moderno), e aí começou o diálogo:
-Que vontade de mergulhar nesse mar...
-Nem me fale!
-Esse cheirinho de praia...
-Eu tô com vontade é de comer chocolate!
-Que doido isso né?
-O quê?
-A vontade!
-Hum...
-Vem da onde?
-O quê?
-A vontade!!
-Ah... sei lá... Mas tipo, é um negócio que tem vida própria... eu nunca pensei "agora eu quero estar com vontade de tomar uma bela vitamina de beterraba com cenoura e mastruz!"
-É mesmo! A vontade tem vontade própria...

A minha tem...
Mas é bom deixar claro que eu sou dona da minha vontade...

P.s. Que bom que eu fiz as escolhas certas!

M.
;)

domingo, 15 de março de 2009

Big (Blog) Brother

logo-bbb-Fico só pensando nas coisas... espero que ninguém aqui se ofenda com as coisas que escrevo... mas tava pensando esses dias na espetacularização da vida privada (que na Tv parece mesmo uma privada)...
De onde será que surgiu essa coisa de se mostrar para o mundo inteiro? Certamente deve ter um monte de artigos, teses, etc. sobre esse fenômeno...
Tipo, escrever num blog um monte de coisas sobre sua vida pra um monte de gente ficar lendo , que sentido tem isso?
E o orkut? Fotos, status, comunidades... a pessoa dá uma satisfação da porra ao virtual... uma vez até comentei com um amigo:
- Minha vida virtual é mais legal que a real...
Lá no orkut eu falo poesias, coloco as melhores fotos, projeto exatamente o que eu gostaria de ser... mas para quê?
Desde quando a gente parou de viver o real para viver o virtual?
De viver a nossa vida para ver a de outros ilustres desconhecidos por intermédio de uma tela, registrada pelo grande irmão?
Eu sempre escrevi em diário, desde meus 12 anos de idade, aliás tenho todos guardados comigo até hoje... mas o meu diário tinha uma chave, que eu pendurava no pescoço, e além disso eu escrevia em códigos, hoje relendo eu nem sei o que estava dizendo... quanto sigilo!!! Hoje escrevo aqui... sem chaves, sem códigos...
Quando foi que isso tudo mudou?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Gente...

Pessoas passam por nós o tempo todo... Fiquei impressionada com a quantidade de gente que eu vi no carnaval. Fala sério, nem cabia no meu campo de visão... E aí, vamos pensar que dentre toda aquela multidão algumas por algum motivo se aproximam da gente, e a gente deixa ficar perto, por qualquer outro motivo...
Mas manter essas pessoas do nosso lado já não depende só de nós... O contexto vai mudando as coisas né, o tempo todo, as distâncias vão afastando alguns e aproximando outros... a internet facilita um pouco, mesmo distante a gente consegue ficar perto de quem a gente gosta... ou de quem a gente realmente quer...
Mas com tudo isso, o que eu andei pensando esta manhã foi na dificuldade em se manter relações com gente... Digo assim com gente porque eu nunca tive dificuldade em me relacionar com meus cachorros... (espero que ninguém se ofenda com a comparação, já que meus cachorros parecem não se ofender)... Lidar com gente, ter que agradar, falar coisas com extremo cuidado, e saber quando falar, às vezes nem falar nada... uma coisa que me deixa cansada... Tem gente que é fácil, ou parece ser. Que existem na nossa vida e fazem parte dela, e sabem como ser leves... Porque gente pesada é difícil de carregar... Eu pensei sobre isso esta manhã. Pessoas que fazem parte de nossa vida, pessoas leves, pesadas, que sentimos falta, ou as que não sentimos, aquelas que foram tão importantes pra nós mas que deixaram de ser de tal modo que nem lembramos que existem até alguém falar:
-Lembra de fulano?
-Fulano? Não, não...
-Fulano, mulher, que morava na rua tal, vizinho de Cicrano, estudava com a gente, usava aquele boné de aba quebrada, lembra?
-Hum...
-Você até teve uma quedinha por ele, mas ele namorava a garotinha do 5º A, loira, você chorava e tudo de raiva deles dois, quando passavam por perto, queria se esconder... Não lembra???
-Ah sim... Lembro, que que tem?
-Nada, lembrei dele, achei no orkut.
-E aí?
-Do mesmo jeito.
-Ah tá. Fazer o que ese fim de semana?
-Bora pro Chorinho?
-Chama Beltrano pra ir com a gente né?

***

¬¬

M.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Em cima do medo coragem

olindaOlinda foi um misto de coisas... um turbilhão... Milhares de coisas acontecendo ao mesmo tempo (tudoaomesmotempoagora), tantas vozes... tantas... Sol e chuva, frio e calor.
Na chegada, a casa limpa, vazia, silenciosa... no dia seguinte o frevo na rua, a multidão pulando num mesmo pulso. Colorido.
A casa foi enchendo devagar, foi ficando cada vez melhor, "um bolo de gente" (né Jú?). Rever pessoas, conhecer pessoas...
Aí teve o dia fatídico em que eu adoeci, um pesadelo. Um pagodezinho de quinta categoria (sem comentários)... na noite dos tambores silenciosos que de fato foram silenciados pela chuva e relâmpagos e trovões...
Dia seguinte, último dia... nomes com gestos e cores (branco quase glitter, né Jef?).
O show do Cordel foi mais do que eu poderia esperar... Uma energia que renovou e cravou em mim um sorriso que não cabe mais...
Saudades? Nem sei... Mais pra vontades...
Ano que vem acho que quero um pouco de Jazz... Guaramiranga... quem sabe?

;)

M.

Acorda levanta resolve
Há uma guerra no nosso caminho
Nos confins do infinito
Nas veredas estreitas do universo
Vejo
As cinzas do tempo
O renascimento
As danças do fogo
Purificação transporte
Escuto
O trovão que escapou
(...)
árvore dos Encantados
Vim aqui outra vez pra tua sombra
árvore dos Encantados
Tenho medo mais estou aqui
(...)
Em cima do medo coragem - Recado da Ororubá
(José Paes de Lira)