sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sobre pedras e castelos...

Em um trabalho de uma de minhas alunas da faculdade tinha um texto atribuído a Fernando Pessoa. Eu, como leitora que sou do poeta, logo desconfiei, nunca tinha lido isso em nehuma de suas obras (nem de seus heterônimos), mas de todo o texto, o que mais me chamou a atenção foi a bendita frase:
"Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo."


Achei tão imagética, poética, uma coisa mais Florbela Espanca que Pessoa... Daí eu pensei: "Vou postar essas palavras no meu blog, mas antes deixe eu ver se acho o autor mesmo...".

Daí achei um sujeito virtual que, ao que me parece, foi o autor dessas palavras, como ele mesmo disse, entre Pessoa e Drummond...

Como a rede virtual é uma eterna captura, essas pedras e castelos agora são meus...

Uma outra frase, de um sujeito não tão anônimo, também me revela um pouco por hoje...

"Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..." (Buarque)

P.s. O autor anônimo tem um blog (dentre outros espaços virtuais), seu pseudônimo é Nemo Nox. Pra quem quiser saber mais...


Por um punhado de pixels...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Quando as palavras faltam... (Sobre os saberes)

Que saudade das conversas superficiais e verdadeiras dos corredores da faculdade no intervalo
entre uma (J)aula e outra...
No fim, o que fica de melhor é o que escapa às cavernas de burocratizar o saber. Aquele produzido no gozo, aquele que não se encerra nas atas de reuniões com meia dúzia de burocratas, que se chamam educaDORES.
O que fizeram com os afetos?
Por que toda essa distância se são os corpos que ocupam (ainda) os espaços?
Ah! Sim! Que queimem todas as atas e ofícios e memorandos...
Que o fogo contamine os correDORES e que deles escapem apenas aquelas boas, superficiais e verdadeiras conversas, no fim é disso que senti (re) mos falta...

M.

domingo, 25 de abril de 2010

Poecura - Poesia e loucura



Eu não sei quem fez você enxergar
Cheirar pagar cantar ter cabelos
Ter pele ter carne ter ossos
Ter altura ter largura
Ter o interior ter o exterior
Ter um lado o outro a frente os fundos
Em cima em baixo
Enxergar
Como é que você consegue enxergar e ouvir vozes?

Stela do Patrocício

Stela do Patrocínio foi uma descoberta que surgiu ao longo do processo de montagem do experimento teatral "para acabar com o juízo dos corpos", montado por mim e com um grupo de amigos experimentatores, no ano de 2007. Trata-se de uma mulher que, aos vinte e um anos de idade é levada a um hospital psiquiátrico, onde viveu interna até os 47 anos de idade. Durante o movimento de Reforma Psiquiátrica, na década de 80, um grupo de estagiárias descobrem em Stela sua poesia, registrando-as em fitas cassetes. Em 2001 suas poesias são reunidas pela pesquisadora Viviane Mosé, que relaciona a força poética dos escritos de Stela com Artaud, ao passo que acende mais uma vez a discussão entre linguagem e loucura.


M.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Earth Day (apenas um dia...)

Em um único dia, milhares de ligações. Todas sobre as mudanças climáticas. Para quem? Ninguém menos do que para os governadores de seus países, estados e cidades.

A idéia do Earth Day é que o mundo inteiro faça o mesmo no dia 22 de abril, ou seja, pegar o telefone e cobrar os governantes por uma moratória da queima de carvão, pelo uso de energias renováveis e por construções mais eficientes.

Diversos eventos voltados ao meio ambiente aconteceram nesse dia ao redor do mundo. Nova Iorque, Tokyo, Buenos Aires, Sydney e Barcelona são alguns dos exemplos de locais onde poderão ser vistos shows e outros eventos voltados ao Dia da Terra.

Por que no dia 22 de abril? Foi nesta data que o senador estadunidense Gaylord Nelson fundou, em 1970, a comemoração no país para que a discussão sobre o meio ambiente se tornasse algo nacional. Denis Hayes, então estudante da Harvard, foi chamado para organizar os eventos. Nesse ano, cerca de 20 milhões de pessoas participaram das atividades. Hoje, acredita-se que aproximadamente 500 milhões de cidadãos de todo o mundo fazem algo pelo meio ambiente nessa data.

A mesma organização que promove as celebrações desenvolveu também o Global Water Network, um site para conscientizar o público sobre os problemas com a água e para gerar fundos e patrocínios para projetos de tratamento desse recurso e de ampliação do saniamento básico. O dinheiro arrecado, então, é destinado para Ongs da América do Sul, África e Oriente Médio.

Não se esqueça: no dia 22 de abril, pegue o telefone, ligue para os seus representantes e cobre políticas que ajudem o meio ambiente.


Bom seria se não esperássemos por um dia, que todos os dias fossem dias de pensar em nosso planeta, em nossa vida, em nós mesmos!
Mas as vidas dos personagens das novelas nos tomam mais tempo que isso... A vida real sempre em segundo lugar...

Só para pensar um pouco...

M.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Se(n/m) sa (n) ções


Parece que hoje foi ontem...

Tantas coisas aconteceram...

Não sei se foi a chuva...

Não sei se foi o calor da estiagem...

Tantas coisas esperando a palavra certa...

Mas as erradas não faltam...

Pairando, esperando, caindo, voando...

São tantas músicas que tocam desde meus 15 anos...

Hoje uma tocou muito... em mim...

Veio com a chuva, logo cedo...
E se foi agora, com as palavras roubadas (as erradas?)

Desde aquele dia
Nada me sacia
Minha vida tá vazia
Desde aquele dia
Parece que foi ontem
Parece que chovia

Desde aquele dia
Minhas noites são iguais
Se eu não vou à luta
Eu não tenho paz
Se eu não faço guerra
Eu não tenho mais paz
Não aguento mais
Um dia mais, um dia a menos
São fatais
Pra quem tem sonhos pequenos
Sonhos tão pequenos
Que nunca têm fim

(Humberto Gessinger)

domingo, 14 de março de 2010

Dia da Poesia!

VERSOS DE ORGULHO

O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além …
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !

O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
O jardim dos meus versos todo em flor…
A seara dos teus beijos, pão bendito…

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços…
São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.

Florbela Espanca