sábado, 21 de janeiro de 2012

Pela falta do que fazer...

Pela falta do que fazer escrevo para preencher o vazio da tarde.
O mar infinito.
O vento forte.
E essa sensação de não ser.
Um quase sono, quase fome, quase querer, quase nada.
Ser criança (sem ser).
Voar sem saber.
Segunda que mais parece domingo.
Coisas findando.
A tarde, o dia, o azul virando cinza.
A manhã se balançando na rede da varanda, só esperando o sol chegar.
Ciranda de amigos. Melodia.
O verde das folhas, o verde do mar... é tão fácil esperar...
O sol deitando no infinito. A vontade de deitar ao seu lado, de ser grande... ser oceano!
De se espelhar por todo canto. De ir e vir, balançar...
Ser estrela, a primeira.
Amiga da lua.
Ser alma, ser corpo e ser nua.
Ser tudo, ter nada. (Chuva de madrugada).
Palavras transformadas em tempo.
Sorrindo como se fosse um lamento.
Caminhar como quem sonha.
Acordar pra outra página em branco.
Preencher de vazio todos os espaços. Ganhar todos os abraços.
Colher todas as flores do caminho, trocar por carinho.
Sentir todos os sabores, provar todos os amores.
E o que mais puder.
Preencher uma tarde inteira com o pensamento que vier.
Deixar a água escorrer pelo corpo e se misturar com a vontade de se esconder.
Escorrer pelo ralo o medo do frio. Desistir do vazio.
Contemplar a tarde no riso de uma criança ...
Simplesmente cair na dança.
No ritmo perfeito.
Do meu jeito.

Trato feito.

M.



sábado, 10 de dezembro de 2011

Mulher com mais de 30!


Só uma mulher com mais de 30 anos sabe reconhecer o gosto amargo de todas as cores (e dores) que viveu.
Depois de brincar de boneca, e pouco tempo depois ganhar uma de verdade, pensar que está tudo bem... continuar brincando, mas agora pra valer. Só depois da brincadeira é que ela sente o cansaço e o peso das coisas.
Só uma mulher com mais de 30 anos sabe o que é correr quando se quer voar... sabe da angustia das asas quebradas pela vida (pela lida).
E ainda insistindo, se olhar no espelho, em busca de si, e não se reconhecer mais. Perder o riso e a leveza sem sentir. E assim, em plena tarde de uma quinta-feira descobrir...
Só uma mulher com mais de 30 anos sabe chorar uma tarde inteira a insatisfação de uma vida inteira. E o sentir sufocar claustrofóbico de viver em um espaço que não é seu. De olhar em volta e ver apenas simulacro: arremedo de vida.
E só ela pode quebrar tudo. Se sentir só (mesmo não estando). Se sentir perdida (mesmo não estando). Pensar que foi tudo vão, ou que é (mesmo não sendo).
Se a vontade é de queimar tudo  as pequenas coisas sobrevivem. Ainda que pequenas. Algumas merecem... foram essas coisas que fizeram ela acreditar na possibilidade de voar um dia... e então ela voou.
Mas não estava só.
Só uma mulher com mais de 30 anos sabe sentir a força e a alegria de encontrar o amor. Que te pega pela mão. Te acolhe nos braços. Te devolve asas, sonhos, tudo...
Depois dos 30 ela descobriu o riso sincero. A alegria que resiste. Atravessa o caos. E depois de uma tarde de lágrimas e abraço sincero consegue escrever de dentro de um ônibus lotado, engarrafamento, no ir de mais um dia. E escrever com alegria.
A alegria de se reconhecer viva dentro dos olhos dele. Ou de reconhecer a vida com ele dentro dela. Sem mais palavras uma mulher com mais de 30, e só ela, pode sentir com tanta força e verdade a vida.
E essa mulher sou eu. E você, meu amor, é o responsável por fazer de mim a mulher mais feliz do mundo... (Só agora, com mais de 30!)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De olhos fechados



Tic-tac
O tempo
Como o vento
Passando por mim
Parece que ri
Como uma criança
O vento, o tempo...
Cavalgando...
Uma criança correndo...
É o tempo
Um sorriso perdido
No vento,
É o tempo.
Batalha presente
Passado
Futuro
Escuro.
Clareando esse lamento,
É o tempo.
Com pressa
E o vento feroz
Constante, infinito, finito.
Destruindo os sonhos
Mãos vazias
Caminhos perdidos
Percorridos
Tempos idos
Desejos partidos
Indefinidos...
Velozes
Numa corrida louca
Contra o tempo.
Agarre entre os dentes
O último suspiro demente
Do sonho que insiste
Persiste:
Amar.
Mergulhar.
Contemplar o mar...
Ah mar...
Que vence o tempo
Supera tudo
Mudo
O mar se cala
O tempo não para...

M.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Para você, meu amor...

Soneto do Amor Total

Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Desalento...

Eu não gosto mais de mim.
Descobri isso em plena manhã
e numa manhã tão bonita...
Da manhã eu gosto. Dessa manhã...
Mas de mim não.
Nem de meu riso.
Talvez do cheiro...
Da pele, talvez...
De um outro em mim, sim.
Mas de mim...


M.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Gente que te quero gente...

Eu amo gente!
Se deus fez o homem à sua imagem e semelhança, é assim que eu adoro Deus!
Nas pessoas que encontro pelas ruas . Nos olhos confusos, sorrisos perdidos...
Nos cheiros que resistem por baixo dos perfumes. Na pele. Na singularidade das vozes. Na história que cada um escreve a cada instante, com os corpos, se desenhando, fazendo-se e desfazendo-se corpo...
Sendo gente, simplesmente...
Sendo...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Hoje é assim...


Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza livre o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção pra mim...

(Soul Parsifal - Composição: Marisa Monte, Renato Russo)